"Príncipes do Nada" returns to Gorongosa 5 years later
Sep 21, 2011 - Gorongosa National Park
Vocacionado para o desenvolvimento social que toma espaço em países em vias de desenvolvimento que têm algo em comum com a nação camoniana, a equipa responsável pela série televisiva “Príncipes do Nada” volta a "conversar" com os cudos e os elefantes, no Parque Nacional da Gorongosa (PNG), antes de protagonizar acções no Centro de Educação Comunitária (CEC) do PNG, na Escola Primária de Madzimachena e no recentemente construído Posto de Saúde de Nhanguo, no regulado de Nhanguo, uma das comunidades à volta do PNG.
«Há cinco anos e meio estive cá. A minha primeira vinda foi muito curiosa na medida em que eu ainda não tinha tido o conhecimento do sonho e da vontade que existia da parte do Greg Carr de restaurar o Parque; o sonho de investir tanto dinheiro seu para a recuperação da Gorongosa.» - revela-nos a conhecida jornalista, actriz e apresentatora televisiva Catarina Furtado.

Momento da visita da equipa do "Príncipes do Nada" à escola de Madzimachena
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Foi muito curioso. Foi num jantar com o antigo Embaixador de Portugal e nós estávamos a fazer uma série de reportagens para o “Príncipes do Nada”, um programa da RTP. “Príncipes do Nada” é um programa que tem como objectivo mostrar como e o que é feito por diversas associações, organizações não governamentais e voluntários individuais nos países em desenvolvimento. Mostramos que existem pessoas que estão a fazer muito e às vezes em condições muito difíceis, mas tudo fazem para o desenvolvimento desses países.
O “Príncipes do Nada” anda normalmente sempre com aqui ou ali um português ou uma portuguesa que depois, em parceria com os nacionais de cada país de expressão portuguesa que temos visitado, fariam então a equipa ideal quer na área da saúde quer na área da educação, na área do meio ambiente, enfim, o desenvolvimento em geral.
Fui a vários países de expressão portuguesa até que cheguei a Moçambique. Aqui no teu país, eu tinha já marcadas as reportagens com as variadíssimas associações, ONGs irmãs, congregações religiosas. Nesse jantar com o Embaixador, conheci o Vasco Galante e o Greg Carr. E fiquei fascinada com o desejo deles, com o objectivo que os moveu até aqui.
Achei muito interessante a história do Vasco Galante e ai estava o meu protagonista para a minha história que é um português que tinha vida muito confortável e que tinha deixado essa sua vida porque queria ajudar. Voluntariou-se e veio ajudar Moçambique. E estava como professor voluntário e, em fim, conheceu Greg Carr e se juntou a este grande sonho de salvar a Gorongosa. Ali e na hora mudámos, eu, o Ricardo Freitas que é o produtor e realizador e o Hugo Gonçalves que é o operador de câmara... mudámos os nossos planos imediatamente porque achámos muito interessante.
Eu sempre ouvi falar da Gorongosa. Meu pai também é jornalista. E ele também está a fazer uma série de documentários. Repetidas vezes ouvi falar da Gorongosa. Portanto, achámos que a Gorongosa era um lugar associado à eventos de ressurreição que não podíamos perder, ainda que eu estivesse embrulhada em muitos sonhos no terreno porque era o princípio dos princípios. Mas em fim, foi tudo muito ágil do ponto de vista da organização. O Greg Carr agiu e pôs à nossa disposição um helicóptero. E viemos então há cinco anos aqui.
Na altura, nós vimos o Parque por cima, uma vista aérea. Fomos até a uma localidade. Conhecemos o régulo, as outras pessoas responsáveis, os habitantes da localidade. E ali mesmo perguntei ao Greg e também ao Vasco qual era de facto aquilo que eles pensavam que poderia ser o resultado da recuperação do Parque do ponto de vista do desenvolvimento das populações aqui a volta, na zona tampão e quer até mais além.
Para mim, o que era importante perceber para além de ser evidente a importância da preservação da natureza, das espécies, a florestação, a protecção dos animais e tudo assim interessantíssimo para o meu programa, mas para além disso era que impacto é que terá esta preservação, este projecto, esta implementação deste projecto na vida das pessoas que vivem mal?
Nós todos sabemos que muitas pessoas aqui a volta do PNG vivem em muita pobreza. Que essas pessoas precisam de apoio pois não tiveram a sorte da instrução como tal, mas aprenderam a sobreviver matando os animais, cortando as árvores, poluindo os rios à sua maneira. Eu queria saber do ponto de vista da oferta. Isto é, se dizemos as pessoas não cortem as árvores, não comam os animais, o que é que poderia ser oferecido a essas populações em alternativa.
Foi me garantido que haveria uma melhoria de alguma forma com as receitas do Parque, um investimento do ponto de vista até emocional na educação e na saúde, que eram as áreas que eu achava mais importantes.
E de facto, cinco anos depois, nós estamos a preparar já a nossa terceira série do “Príncipes do Nada”. Já fomos a vários países. Já cá estive em Moçambique para a segunda série. Mas não passei pela Gorongosa. Fiz outras coisas também interessantes com outras organizações.
Mas há um e-mail que eu recebi daqui do vosso Departamento de Comunicação em que dizia a entrega de livros oferecidos pelo Ministério de Educação de Portugal. E eu já tinha visto um outro e-mail que me despertou interesse e até já tinha falado com o antigo Secretário de Estado da Cooperação e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Cravinho, que me tinha dito que havia um centro (CEC - Centro de Educação Comunitária) muito interessante, construído no PNG em parceria entre o IPAD, a Fundação Carr e a USAID.

Catarina Furtado entrevista Pedro Muagura (PNG) no Centro de Educação Comunitária
Portanto o CEC era uma empreendimento em que Portugal estava muito interessado, pois é um grande orgulho pata todos po que contyrivbuíram para a sua concretização. O Dr. Cravinho disse-me que o CEC é um centro que seria muito, muito produtivo do ponto de vista da educação das crianças e das comunidades à volta do PNG.
Foi então que juntei aquela informação que tinha recebido a um tempo sobre o CEC e esta da doação dos livros e pensei: aqui está. Vamos então fazer um follow-up tendo como ponto de partida estes elos já que os portugueses, através dos seus impostos quer com os livros quer com a construção do Centro, contribuem directa ou indirectamente para o desenvolvimento destas comunidades à volta do PNG.
Achei que era importante mostrar as pessoas como vale a pena ajudar o desenvolvimento. Mostrar a essas pessoas que vale a pena nós percebermos o que quer dizer cooperação entre os países, pois isto também é meu objectivo.
Portanto, eu vim aqui provar que de facto há um investimento e continua a ser feito um investimento na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Ao mesmo tempo que se educa, está-se a passar as ferramentas para as pessoas locais arranjarem alternativas à sua sobrevivência preservando a fauna e os nossos queridos e estimados animais.
E de facto, encontrei mais animais desta vez. Tive a oportunidade de fazer um pequeno, pequeníssimo safari. Porém, vi mais animais e encontrei a mesma vontade de há cinco anos e meio atrás, o que me deixa tranquila.
Quer dizer, há muito a fazer ainda. Fico triste ao saber que a caça furtiva ainda não está controlada antes pelo contrário, mas há um caminho grande com sinais de esperança quando me dizem que tem voluntárias na Serra da Gorongosa. Que as pessoas locais na Serra ajudam a plantar árvores, em fim, isso já são sinais muito positivos. São pessoas que depois têm a recompensa de vir aqui ao Centro e terem cursos de curta duração e depois provavelmente irão saber arranjar outras alternativas à sua sobrevivência.
E também quando me dizem que existe neste momento mais de 400 trabalhadores, na altura (há cinco anos e meio atrás) não existia esse número. Isso para mim é um sinal muito significativo que de facto há um resultado concreto, prático, eficaz e rápido que é dar trabalho às pessoas.
Seria fantástico dar a muitas mais. Se calhar com o sucesso que o Parque virá a ter, se tudo correr bem, mais postos de trabalho irão ser oferecidos às pessoas. Até porque garantiram-me que o objectivo é ter cerca de 90 ou 95 ou mais % de nacionais a trabalhar aqui no Parque. E essa percentagem será mantida mesmo que haja os estrangeiros quer de Portugal quer de outros países que estejam interessados em investir, essa é uma garantia que se deve ter sempre em conta: que a percentagem dos nacionais seja bastante elevada e que nunca a menos de 90 % de nacionais a trabalhar aqui no PNG.»
Note:
Use this link to watch the program "Príncipes do Nada" dedicated to Gorongosa in 2006.
Domingos Muala
Departamento de Comunicação do PNG