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Agricultura Orgânica na Gorongosa

May 8, 2008 - Parque Nacional da Gorongosa

de Carlitos Sunza
Departamento de Comunicação/PNG

nullO camponês João Jongue, do bairro Mangu, vila da Gorongosa, distrito do mesmo nome, na província central moçambicana de Sofala, é exemplo da prática de agricultura orgânica neste ponto do país.
 
Jongue, optou por esta técnica de maneio agrário para aumentar significativamente a produção e a produtividade agrícolas com a finalidade de garantir a segurança alimentar e gerar rendimentos para satisfazer as demais necessidades no seio da sua família.

Por outro, segundo a fonte evita o desbaste de terras, pois permanece muito tempo a trabalhar na mesma machamba mantendo os mesmos níveis de produção no final de cada época de colheita, ao contrário dos seus colegas que usam as queimadas para limpeza dos campos de cultivos. Trata-se de uma metodologia que concorre para o rápido empobrecimento dos solos o que, por conseguinte, obriga os camponeses que adoptam esta prática a abrir novas machambas noutros lugares depois de duas a quatro campanhas agrícolas, pois as terras deixam de produzir o necessário. 

O nosso interlocutor diz que o seu sistema de produção tem como base a rotação de culturas e a adubação verde. Assim, como avançou à nossa reportagem, consegue fazer a manutenção da estrutura e da profundidade do solo, sem alterar suas propriedades.

null“Eu uso uma técnica muito simples, mas obtenho maior rendimento agrícola. Esta técnica consiste em os restos vegetais de uma campanha agrícola servirem de estrume para a outra e sucessivamente. Por exemplo, se numa determinada campanha agrícola semeio o milho depois da colheita deixo cair os caniços em linhas, separadas uma da outra por uma distância de pelo menos dois metros, intervalo do qual lanço a sementeira da nova cultura. É por isso que a minha machamba tem solos pretos, enquanto que as dos meus vizinhos estão com terra vermelha”.

“Se uma machamba é feita com recurso a técnicas de agricultura sustentável, ela produz o suficiente durante muito tempo, ao passo que as outras técnicas, por exemplo, a de queimada como forma de limpeza de terreno no máximo são aí cinco anos, depois ela deve ser abandonada porque não oferece mais a produção ao nível satisfatório à altura das necessidades do seu produtor”.

João Jongue conta que graças a esta praxe de agricultura sustentável que aprendera numa das suas viagens à cidade de Chimoio e ao distrito de Sussundenga, província de Manica, nos tempos já idos tendo-a adoptada no seu campo de cultivo há 15 anos, passou a obter melhores resultados agrícolas.

Segundo narra, no primeiro ano de experiência fez o ensaio do novo procedimento agrícola apenas numa parte da sua machamba. Quando viu que com esta técnica obteve bons resultados, para além de ter constado que os solos na pequena porção de terra onde foi introduzida a nova forma de cultivo conservavam sempre a humidade permitindo ciclos permanentes de diversas culturas, alargou o método a toda a machamba.

nullO camponês diz que para evitar o alastramento do fogo quando os vizinhos agricultores limpam as suas propriedades agrícolas com recurso a queimadas, faz sempre um quebra-fogo à volta de todo sua machamba assim que se aproxima a época seca.

Na machamba que visitamos, localizada numa das margens do rio Nhandar, com cerca de hectare e meio, o nosso entrevistado diz que tem uma colheita mínima de uma tonelada de milho e quantidades não reveladas de amendoim, tomate e outros produtos da machamba em cada campanha agrícola. A produção é destinada essencialmente ao consumo familiar e a venda para a gestão da economia familiar.

João Jongue, 70 anos de idade, casado, pai de nove filhos e avô de 12 netos, avançou à nossa reportagem que adquiriu aquela porção de terra através de um outro camponês, cujo nome não precisou, que o vendera por 150,00MT (cento e cinquenta meticais), isto nos anos noventa, momentos após a assinatura dos Acordos Gerais de Paz, que pôs termo aos 16 anos de guerra civil envolvendo o Governo moçambicano sob a direcção do Partido Frelimo e a Renamo.

Entretanto, a direcção do Parque Nacional da Gorongosa tem vindo a colaborar com o camponês em alusão no sentido de persuadir outros agricultores da região para adoptarem a mesma técnica de maneio agrário, abandonando as formas que concorrem para o desbaste de terras, sobretudo na Serra da Gorongosa onde numerosas árvores são destruídas anualmente em consequência de uma agricultura não sustentável para o meio ambiente. O desmatamento da Serra, se não for travado, poderá nos próximos tempos fazer desaparecer as florestas e trazer prejuízos enormes para a vida das pessoas que vivem nas imediações desta cadeia montanhosa.

Por outro lado, João Jongue encaixa-se a priori no plano do Governo moçambicano que declarou a Revolução Verde como uma estratégia no contexto da luta contra a fome e a promoção de segurança alimentar em Moçambique com o propósito de reduzir a dependência ao exterior para aquisição de bens de consumo importados, a medida que o país registar maior produtividade e produção no sector agrário para satisfazer as suas necessidades internas.

Moçambique é detentor de uma economia que tem a agricultura como um dos sectores básicos e este sector necessita de bons exemplos como o de João Jongue.

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