O vale é igualmente impressionante, uma secção de 4.000 quilómetros quadrados do famoso sistema do Vale do Rift Oriental, uma das características geológicas mais conhecidas de África que se estende ao longo da África Oriental, desde a Etiópia até à região Central de Moçambique. Grandes deslocações de placas tectónicas iniciaram a sua formação cerca de 30 milhões de anos atrás. Outras deformações, saliências e reentrâncias da crusta terrestre, durante milhares de anos modelaram os planaltos por ambos lados e a serra a Oeste. Toda essa actividade, conjugada com o sol, ventos e chuvas na superfície, criou uma rica diversidade de solos—7 tipos diferentes e muitas outras variedades. O clima tropical de savana de Moçambique, com um ciclo anual de períodos húmidos e secos, constitui mais um outro factor para a equação complexa da biodiversidade: uma mudança constante de humidade nos solos que se vai alterando à medida que os solos se vão elevando em relação ao nível das águas do mar. A escassos 21 quilómetros da Serra, o vale, situado a 14 metros sobre o nível das águas do mar, recebe menos de metade da precipitação daquela.
O resultado é uma espantosa gama de espécies de plantas associadas de forma complexa que por seu turno suportam muitos e diferentes répteis, batráquios e peixes; mais de 400 espécies de aves; cerca de duas dúzias de ungulados selvagens, incluindo elefantes, búfalos, zebras, bois-cavalos, elandes, pala-palas, gondongas, oribis, inhalas e cudos; seis primatas (incluindo dois jágaras); e mais de uma dúzia de grandes predadores, como leões, leopardos, mabecos e crocodilos.