O Parque Nacional da Gorongosa protege um vasto ecossistema bem definido, modelado e alimentado pelos muitos rios que correm para o lago Urema. O rio Nhandunguè, por exemplo, atravessa o Planalto do Baruè no seu percurso normal para o vale. Os rios Nhanduè e Mucombezi entram no Parque vindos do Norte. A Serra da Gorongosa contribui com o rio Vunduzi. Muitos riachos e canais entram no Parque vindos do Planalto de Cheringoma. Todos aqueles rios formam a Bacia do Urema, com uma área aproximada de 7.850 quilómetros quadrados.
Muitos desses rios são sazonais, e chegam ao vale somente na época das chuvas, entre Novembro e Abril. No resto do ano, são simplesmente leitos de areia, tendo-se a água infiltrado no subsolo depois de um pequeno percurso. Só os rios Vunduzi e Nhandunguè alimentam o lago Urema durante maior parte do ano—sobretudo o Vunduzi, enquanto que o Nhandunguè precisa de receber apoio do rio Muera, um riacho que o alimenta mesmo na época seca. É portanto compreensível que as nascentes da Serra da Gorongosa constituem uma base importante para a vida ao longo do vale mais abaixo.
Em dias muito calmos e claros, a superfície do lago Urema, como se estivesse a agradecer, reflecte a imagem da Serra da Gorongosa, uma volumosa presença esverdeada, e com a toda a razão, pois a sua imponente presença é venerada pelas populações locais. Um maciço isolado de 600 quilómetros quadrados e 1.863 metros de altitude, é suficientemente grande para criar o seu próprio clima, atraindo uma média de 2.000 mm de precipitação anual. As florestas luxuriantes e pastagens no cume da Montanha absorvem muita desta água e deixam-na escorrer pelas vertentes ao longo de todo o ano criando cascatas e quedas de água fascinantes.