A reabilitação do Parque Nacional da Gorongosa, no centro de Moçambique, representa uma das grandes oportunidades de conservação no mundo de hoje. A Gorongosa é uma região com grande diversidade de espécies e características ecológicas únicas. A chave para assegurar a continuidade da diversidade de espécies no planeta é proteger as áreas que se encontram em situação crítica.
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Com uma área de cerca de 4000 quilómetros quadrados, o Parque situa-se na zona limite sul do Grande Vale do Rift Africano. O Parque abarca a área plana do vale e partes dos planaltos que o circundam. A planície é irrigada pelos rios que nascem na Serra da Gorongosa, a qual chega a atingir os 1862 metros de altitude.
As inundações sazonais e alagamento do vale, o qual é composto por tipos de solo diferentes, criam uma variedade de ecossistemas distintos. As terras de pasto são pontilhadas de remendos de acácias, de savana, de floresta seca sobre areias, de poças cheias de água das chuvas sazonais e de densos bosques de termiteiras. Os planaltos contêm matas de miombo e florestas de montanha, assim como uma espectacular floresta tropical húmida, na base de uma série de desfiladeiros ou “gargantas” de calcário.
Esta combinação de características únicas albergou, um dia, uma das mais densas populações de vida selvagem de toda a África, incluindo carismáticos carnívoros, herbívoros e mais de 500 espécies de pássaros. Contudo, no final do século XX e enquanto durou o conflito civil em Moçambique, o número de mamíferos de alto porte sofreu uma drástica redução de 95% e os ecossistemas foram alvo de forte pressão.
A Fundação Carr, uma organização norte-americana sem fins lucrativos, aliou-se ao Governo de Moçambique para proteger e restaurar o ecossistema do Parque Nacional da Gorongosa e desenvolver um sector de ecoturismo que beneficie as comunidades locais. Em Janeiro de 2008, a Fundação assinou com o Governo Moçambicano um contrato de gestão conjunta do Parque, pelo prazo de 20 anos. Este compromisso de longo prazo foi precedido de um período de três anos e meio de actividades de restauração legitimadas por um Memorando de Entendimento assinado pelas referidas partes.
Estamos a formar uma equipa anti-caça furtiva revitalizada e a reconstruir a infra-estrutura do Parque. Estamos a levar a cabo acompanhamento e vigilância biológica, incluindo contagem de herbívoros de alto porte, um levantamento de carnívoros, de peixes e um mapa de vegetação. Estamos a criar no Parque um centro permanente de investigação biológica, o qual permitirá contribuir para o conhecimento científico e também proporcionar educação e oportunidades de emprego aos Moçambicanos.
Em 2006, começamos a reintrodução, em grande número, da tripla de ruminantes de alto porte (zebra/gnu/búfalo), os quais eram responsáveis pela manutenção do ecossistema da Gorongosa no passado.
Estamos a trabalhar para melhorar a vida das populações nas terras que circundam o Parque, criando emprego no Parque, fundando escolas e postos de saúde e formando agricultores locais em agricultura sustentável.