O Parque Nacional da Gorongosa gozou de um período áureo relativamente breve, no princípio da década de 60. Visitantes de todo o mundo descobriam os seus tesouros e os animais beneficiavam da proibição de caçar no Parque. Depois veio a geração do conflito armado, primeiro a guerra pela independência com Portugal, depois, a guerra civil, que ceifou mais de um milhão de vidas.
Algumas das batalhas mais sangrentas da guerra civil ocorreram nos arredores e no próprio Parque Nacional da Gorongosa, na década de 1980. As “gentes das serras” sofreram perdas e sofrimentos terríveis. Com as linhas de fogo cobertas e em constante mudança, eram vistos como combatentes se apanhados num dos lados de território inimigo e, por isso, viveram sob constante ameaça de morte. Milhares foram expulsos das suas casas, detidos, ou executados, em particular pelos desejos dos rebeldes de destruir as infra-estruturas de Moçambique e assassinar quem as pudesse reconstruir.
Epidemias regulares de cólera, diarreia e malária, juntamente com secas e cheias devastadoras - perto do final da guerra - apenas ajudaram a causar mais sofrimento.