Parque Nacional da Gorongosa Moçambique

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Gestão de Incêndios

 

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Incêndios dentro e em volta do Parque Nacional da Gorongosa, Setembro de 2007
A última estação seca foi uma altura de intensa actividade no Parque Nacional da Gorongosa no que toca aos incêndios. A nossa equipa de fiscais, assistida por outro pessoal do Parque, trabalhou dia e noite durante este período para evitar que os incêndios se espalhassem, nomeadamente para a zona do Santuário de Fauna Bravia e para a rede de estradas turísticas. Todos se envolveram no velho desafio de como gerir um incêndio que tanto pode ser amigo como inimigo.

O fogo faz naturalmente parte do ecossistema na Gorongosa e os humanos têm vindo a usar o fogo nesta região há mais de 150.000 anos. Tal como as chuvas e a actividade animal, o fogo influencia a estrutura ecológica da Gorongosa. Os incêndios libertam nutrientes e removem plantas velhas e secas à superfície da terra, possibilitando que, quando cheguem as chuvas, novas plantas germinem a partir das raízes. Estas zonas de vegetação exuberante recém-crescida revelam ser excelentes terrenos de pasto para muitos dos animais da Gorongosa, incluindo a piva, impala e o búfalo Africano.

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Novos rebentos de erva emergem após o incêndio
Mas os incêndios da Gorongosa estão hoje muito mais espalhados do que o foram no passado porque os animais de pasto maiores – búfalo, zebra e boi-cavalo – se encontram em número reduzido, comparado com valores do passado nas planícies. Antigamente, estes animais de pasto mantinham uma área de pasto com muito menos quantidade de material combustível do que o que hoje alimenta os fogos. Hoje em dia, as ervas da Gorongosa são altas e férteis, e por isso produzem incêndios mais quentes e intensos. Estes incêndios podem ser perigosos para as pessoas e para a vida selvagem no parque.
 
Os incêndios fazem desaparecer os abrigos que muitos animais usam para se esconderem de predadores e queimam a vegetação que outras espécies necessitam para pastar, até que as chuvas cheguem a fim de estimularem novo crescimento. Quando uma área arde de mais, não restam comida ou abrigos suficientes para as espécies animais, estes devem procurar alimento e protecção noutro lado. Por outro lado, incêndios grandes e quentes são muito mais difíceis de extinguir e podem, assim, consistir numa grave ameaça à segurança humana.

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Ervas da Gorongosa crescem até uma altura impressionante sem os animais de pasto tais como o búfalo, o boi-cavalo e a zebra
Muitos fogos são iniciados por pessoas das comunidades locais, no intuito de limpar a terra, a fim de plantar uma machamba (horta) ou abrir caminhos para a circulação entre comunidades. Os incêndios são por vezes também usados na caça furtiva; caçadores ilegais usam o fogo como meio para atrair animais às tenras e novas pastagens que crescem depois do incêndio, podendo assim avistá-los mais facilmente. É mais fácil montar uma armadilhas para animais numa zona queimada. Pode também acontecer estar-se perante um caso de fogo posto. Infelizmente, uma vez acesos, este tipo de incêndios alastram pela paisagem, queimando qualquer área que esteja seca o suficiente para manter o fogo. Em dias de vento ou tempo seco, até os pequenos incêndios podem assumir proporções alarmantes e queimar rapidamente áreas que não estejam sob controlo.

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Pessoal do PNG a acender um fogo prescrito ao longo de uma estrada do Parque
O Parque Nacional da Gorongosa e outros gestores da terra usam os incêndios como uma ferramenta de gestão (são os chamados “incêndios prescritos”) em locais estratégicos, a fim de criar barreiras de incêndio para prevenir que incêndios descontrolados de espalhem. Por exemplo, as equipas de gestores de fogo do parque queimam barreiras de protecção em volta do Acampamento de Chitengo, do Santuário e de outras áreas importantes, usando incêndios prescritos. Também queimamos certas áreas durante os primeiros tempos da estação seca (Maio/Junho)- quando a terra está mais húmida e como tal é mais fácil controlar um incêndio – para criar uma manta de retalhos de áreas ardidas e áreas por arder, ou seja, áreas com boas condições para pastar e áreas que possam consistir num bom abrigo para a vida selvagem.
 
Os gestores de incêndios do Parque estabeleceram este ano 22 unidades de gestão na zona sul do parque, a fim de contribuírem com os seus esforços para realizar fogos prescritos e combaterem fogo-posto. Cerca de um terço a metade destas unidades serão queimadas durante a estação seca. A nossa rede de estradas está a expandir-se ao longo do tempo, iremos por isso acrescentar novas unidades de gestão que possibilitarão gestão de fogo prescrito por todo o Parque, especialmente enquanto a nossa grande população de herbívoros recupera.

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A linha de ignição definida (ao longo de uma Estrada do parque) é uma boa indicação de que este incêndio foi um incêndio prescrito
Uma boa formação e sólida experiência de campo fazem uma equipa de gestão eficiente e eficaz. O Parque Nacional da Gorongosa está a proporcionar formação ao seu pessoal por meio de workshops formais dados por gestores de incêndios experientes e oriundos da organização não governamental Working on Fire International, a qual é conciliada com uma extensa experiência no terreno, ganha a lidar com incêndios prescritos e a desenvolver esforços de controlo de incêndios.  Estamos a colaborar com a equipa Working on Fire a fim de levar a cabo investigação acerca da ecologia dos incêndios, de forma a promover melhores práticas integradas de gestão de incêndios na Gorongosa e na região. Estamos também a desenvolver programas com a comunidade a fim de formar os seus membros em controlo de incêndios na zona intermédia do Parque e educá-los acerca do impacto dos incêndios descontrolados no Parque.

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